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PIB do 2T25: Crescimento Acima do Esperado, Mas Com Ressalvas

O crescimento de 1,8% no trimestre superou o consenso de mercado. O que puxou os números e o que pode travar a continuidade.

Por Rodrigo Menezes · 11 jul. 2025 · Atualizado em 11 jul. 2025

O IBGE divulgou na última semana os dados do PIB do segundo trimestre de 2025: crescimento de 1,8% em relação ao trimestre anterior, e 3,2% em relação ao mesmo período de 2024. Os números superaram o consenso de mercado, que esperava 1,4% e 2,8%, respectivamente.

A reação imediata foi positiva — bolsa subiu, dólar caiu. Mas uma leitura mais cuidadosa dos dados revela algumas ressalvas importantes.

O Que Puxou o Crescimento

O agronegócio foi o principal motor, com crescimento de 4,1% no trimestre. A safra de soja e milho foi excepcional, beneficiada por condições climáticas favoráveis. Serviços cresceram 1,2%, puxados por comércio e transporte. A indústria de transformação, por outro lado, ficou praticamente estagnada — crescimento de 0,3%.

O problema com crescimento concentrado no agro é que ele é volátil. Clima muda. E o setor tem baixo multiplicador sobre o restante da economia em termos de emprego e renda urbana.

As Ressalvas

O consumo das famílias cresceu 1,1% — abaixo do esperado dado o nível de emprego. Isso sugere que o endividamento elevado está comprimindo o consumo mesmo com mais pessoas empregadas. A formação bruta de capital fixo — o investimento produtivo — cresceu apenas 0,8%, o que não é suficiente para sustentar crescimento de longo prazo.

O PIB de 2025 vai ser bom. Provavelmente acima de 3%. Mas a qualidade do crescimento — diversificado, com investimento e renda — ainda deixa a desejar.

Rodrigo Menezes
Economista — Macroeconomia Brasil

Doutor em economia pela FGV-SP. Pesquisador de crescimento econômico e conjuntura macroeconômica brasileira. Colabora com o MercadoAberto desde 2021.